Outubro 26, 2007
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3 comentários:
Ó, meu Tenente, ó meu Amigo, ó meu Tenente Feio!
Nem queira saber o escarcéu que tem provocado cá por casa. Ele é o Tenente isto, ele é o teu amigo Tenente aquilo, ele é o livro do Tenente, ele é «aquilo sim é qu’é um homem às direitas, sem as caganeirices desses peralvilhos que não têm onde cair mortos», ele é «ó, pai, veja lá o que escreve, olhe qu’ele é um poeta», ele é «ó homem, deixa lá ver bem esta foto, põe lá isso maior que quero ver bem os folhos do vestido da senhora Tenente, que coisa fina!», ele é «ó pai, mande lá os meus versos ao seu amigo senhor Tenente – atazana a minha mais nova. Fruto serôdio dum quente luar d’Agosto, meu Tenente. Uma mocetona, meu Tenente, bonita como poucas, não qu’ as outras sejam feias, não senhor, mas esta … o meu Tenente desculpe o orgulho do cheiodenovehoras. Tem muita queda para as palavras, meu Tenente, muita queda. A mais velha, mãe de família e muito sisuda, diz que não, qu’é só mania. Um dia destes, com sua licença, claro, mando-lhe os versos da rapariga, que isto de viver rodeado de mulheres é uma canseira, boa, mas canseira, meu Tenente. Valem-me os seus ensinamentos, meu Tenente, a sua voz de comando, de cavalaria, de panhards… e os seus silêncios, então! Gelavam a malta!
A do meio não deslarga: pai, não abuse do Senhor Tenente… não lhe gaste espaço… corrija essa frase já, pai!
Pronto, meu Tenente Feio, meu Amigo. Vou ver dos animais. Da próxima vez conto-lhe as conversas do café da terra, desde que saiu o seu livro. Sempre lhe adianto qu’até sou olhado d’outro modo.
Com respeito, meu bom Amigo, meu Tenente Feio, com todo o respeito
tacão batido,
semprecheiodenovehoras
Nosso Cabo!
É um prazer ter esta “posta restante” que garante o agradável contacto da Beira profunda com os Estoris da grande Lisboa! Penso até que ambos devíamos guardar os rascunhos, para garantir que não há extravio, e quem sabe um dia não os publicaríamos “numa Junta de Freguesia perto de nós”? Darão aos vindouros, com certeza, imagens deste Portugal de mudança de século, vistas de dois olhares diferentes de localizações diferentes. Cabo, serão as nossas visões na verdade assim tão diversas? Tu Cabo, com menos letras e números na cabeça, com o pelo coçado nas picadas de Moçambique, julgo, o balázio no coiro que te ia mandando para a peluda mais cedo, o regresso à Metrópole ao Hospital Militar Principal. Eu não mobilizado, também no HMP no Largo da Estrela, mas sem ter experimentado o chumbo do canhangulo, a fazer uma tropa da treta, e a aproveitar a boleia desta balda para meter na cabeça mais uma fórmulas e acabar o curso! A propósito, já leste neste jornal da caserna que são os “blogs”, um par de versos em que o pano de fundo é o citado Largo da Estrela? Na altura em que te dava de vez em quando uns calduços, não imaginavas que o teu então Alferes escrevia estas lenga-lengas para animar (ou desanimar) a malta das casernas? Vai dizendo coisas entre as couves e o pinhal! Cabo, fica bem e nunca mais te ponhas em sentido à frente de ninguém – nem de mim. Representámos o nosso papel na altura, mas o que devíamos ter feito todos era deixar crescer o cabelo, pegar na viola e ir para França com o José Mário Branco! Um abraço.
Bem ternurentos estes rabiscos-desenho-esquisso :=)
Amiguinha arco-íris agradece sempre ver a CRIAÇÃO tal-qual
B
O
M
D
I
A
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